Opinião

O QUE CARREIRA E FÉRIAS TÊM EM COMUM?

Foto Jorge LivroNos últimos anos tenho dedicado boa parte do meu tempo de estudo a entender o planejamento estratégico. Descobri que é possível, por exemplo, adaptar o modelo empresarial para nossa vida pessoal, elaborando um plano para seguir e viver melhor. Nos últimos meses verifiquei que planejar a carreira guarda inúmeras semelhanças com o planejamento de uma viagem, meu hobby preferido. Para entender essa analogia montei um roteiro com cinco passos para demonstrar a teoria. Confira abaixo como é possível usar a mesma metodologia para as duas situações:

Passo 1: Qual o meu destino?
O primeiro passo das férias, assim como o primeiro passo do planejamento de carreira, é estabelecer uma meta: aonde você quer estar no futuro próximo? Quer ir passar as férias na praia ou no campo? No Brasil ou no exterior? Viajar pelo lazer, pela cultura adquirida, intercâmbio? O mesmo questionamento serve para a sua carreira.
Você deve ser perguntar se: quer ser gestor ou analista? Quer mudar de área ou continuar naquela em que você está? Onde seria um bom lugar para ir? Quais são as oportunidades de carreira que existem? Quais são as áreas que possuem as melhores oportunidades no mundo atual?

Passo 2: Como eu vou chegar lá?
Para qualquer viagem, existem várias formas de transporte. Uns são mais rápidos e diretos, mas há outros caminhos que podem levar mais tempo, mas serão mais interessantes. Quando eu penso na minha carreira e onde eu quero chegar, tenho que pensar qual caminho eu tenho que tomar para chegar nesse destino.
Você deve se perguntar se: na empresa aonde está, há espaço para você chegar onde deseja? O caminho será rápido? Ou, mesmo sabendo que haverá um longo caminho pela frente, você acha que chegará lá e não está com tanta pressa? Não tem paciência para esperar? Quer tentar outros caminhos? Outras áreas? Outra profissão?

Passo 3: O que levo na bagagem?
Quando você vai em uma viagem, tem que pensar quais são as coisas que podem te ajudar nessa viagem, que você deve levar na mala. Se for acampar, por exemplo, é bom ter uma lanterna ou um canivete. Se for para a praia, não pode esquecer o protetor solar. O segredo é equilibrar tudo para que não leve bagagem demais ou que falte coisas essenciais ao chegar no seu destino. Na sua carreira, você tem que pensar quais são as habilidades, atitudes e conhecimentos que precisa levar com você para chegar ao seu objetivo (destino) final.
Você deve se perguntar se: tem todo o conhecimento que precisa para chegar onde quer? O que falta melhorar? Quais habilidades podem ser melhor desenvolvidas e como você pode fazer isso? Preciso de uma atitude diferente?

Passo 4: Ouvir dicas de quem já esteve no local
Quando você está planejando uma viagem para um lugar para o qual nunca foi, você pergunta para seus amigos e familiares que já foram para lá, procura informações em sites de viagens e compra livros que falam sobre o destino para encontrar dicas e orientações. Na carreira, funciona do mesmo jeito. É sempre muito produtivo conversar com pessoas que chegaram aonde você quer chegar, ler sobre a trajetória de carreira dessas pessoas e procurar livros e dicas de especialistas e profissionais que trabalham na área em que deseja atuar.
Você deve se perguntar: quem pode ajudar você a ter uma trajetória mais assertiva e tranquila? Quem pode ensinar o caminho das pedras? Quem pode te indicar no segmento desejado?

Passo 5: Planejar e traçar o mapa para chegar ao destino
Se você já tem o destino final, a forma como chegará lá, já fez as malas e pegou as dicas com quem esteve lá, é a hora de fazer o seu mapa de carreira. Montar um plano de ação para que você contemple todos os passos necessários para que você possa atingir seu objetivo.
Você deve se perguntar se: tem todas as outras etapas do processo de planejamento de carreira cumpridas? sabe aonde exatamente quer chegar ou deixa que a empresa seja a única responsável pela gestão da sua carreira? Preciso assumir o controle da minha carreira? O que falta para que eu atinja o meu objetivo final?

Viajar é bom. Quando é uma viagem planejada, os percalços pode ocorrer, mas seu preparo prévio vai auxiliar a contorná-los. Planejar a carreira é necessário. Não se pode arriscar na atualidade a deixar o rumo ser definido por variáveis externas. Se uma viagem problemática gera, no máximo, insatisfação e frustração, uma carreira com planejamento errático pode ocasionar um efeito muito pior desde uma simples desmotivação momentânea por não atingir as metas, até chegar a uma demissão derivada da falta de resultados. A jornada da vida guarda similaridades com a jornada profissional. E as semelhanças não são apenas mera coincidência!

Escrita por:
Jorge Luiz Conde

Mini Currículo:
Professor universitário em cursos de graduação e especialização em faculdades de Cruzeiro/SP e região do Vale do Paraíba. É o Vice-Diretor da Faculdade de Ciências Humanas de Cruzeiro (FACIC), e atua também como Professor Executivo do Programa de Pós-Graduação da Fundação Getúlio Vargas, nos polos de São José dos Campos e Taubaté. Especialista em Administração com MBA Executivo em Gestão Empresarial Estratégica pela Universidade de São Paulo e MBA em Desenvolvimento e Gestão de Pessoas pela Fundação Getúlio Vargas MBA Executivo Internacional em Gestão de Pessoas pela University of Tampa (Flórida/EUA) em convênio com a FGV. Licenciado em Letras com habilitação em Português e Inglês (Faculdades Integradas de Cruzeiro/SP). Bacharel em Administração pela Universidade Paulista (UNIP). Jornalista e Radialista profissional, tem vivência de duas décadas em todos os setores da mídia. Possui experiência como gestor em organizações públicas, privadas e do Terceiro Setor. Consultor Organizacional desde 1997, é especialista em treinamentos comportamentais, Gestão Empresarial Estratégica e Coaching Executivo. Coautor do livro “Planejamento Estratégico de Vida” da Editora Ser Mais.

 

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